São Bernardo do Campo / SP - segunda-feira, 26 de junho de 2017

Dependência Química

Living La Vida Loca...

 

  • Hoje em dia está em voga falar ou escrever a respeito das drogas, quais são elas, como funcionam, qual a repercussão destas no organismo, quais são os tipos de personalidades que a utilizam, quais os nomes famosos quem foram pegos usando, etc. A humanidade convive com as drogas há mais de 8.000 anos e muita coisa mudou desde então a seu respeito. Algumas delas são proibidas hoje, mas no passado foram muito utilizadas até como remédios.

Quando falamos em dependência estamos abordando a definição médica da palavra, ou seja, o fenômeno gerado pelo uso contínuo de certos medicamentos ou drogas que leva o corpo a produzir um novo equilíbrio, exigindo para seu funcionamento um aporte regular de tais medicamentos ou drogas. Por um outro lado também nos referimos à compulsão de consumir certos medicamentos ou drogas porque produzem um efeito agradável ou suprimem problemas como ansiedade, depressão etc.

  • Observamos que a palavra "droga" é utilizada de maneira indiscriminada e muitas vezes até leviana ou pejorativamente. Segundo o renomado dicionário Houaiss a palavra "droga" possui 14 definições possíveis, de substantivo feminino ou masculino à interjeição, e sua origem é do francês "drocques" (c. 1462) termo usado para rotular os ingredientes de uma tintura ou substância química ou farmacêutica. A palavra também é usada como sinônimo de alucinógeno, entorpecente, medicamento, mezinha, remédio ou tóxico.

Toda e qualquer substância que possa gerar uma "dependência" ou "vício" é chamada de "droga". Mas estabeleceu-se que toda substância psicoativa, ou seja, que afete o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso central alterando a percepção e a consciência seja chamada de "droga".

  • As drogas psicoativas são divididas em quatro categorias e é a Organização das Nações Unidas (ONU) quem determina quais substâncias fazem parte destas categorias. A mais restrita são as drogas ilegais como a maconha, heroína, cocaína, LSD, haxixe, crack e outras. A segunda categoria são as drogas que podem ser vendidas sob prescrição médica. A terceira categoria inclui a nicotina e o álcool cuja venda é limitada pela idade do usuário. E a categoria seguinte é das drogas psicoativas completamente liberadas, como a cafeína.

Segundo o livro "Drogas" (Ed. Abril, 2003), do jornalista Rodrigo Vergara, da revista Superinteressante, a pergunta que se faz é qual o critério que diferencia as drogas psicoativas ilegais das controladas ou das liberadas? Aponta que os argumentos são muitos para proibir uma e liberar outras. Porém, o álcool, cuja venda é quase liberada, é, de longe, a droga mais consumida no mundo e hoje causa mais males à saúde que a cocaína e a heroína juntas.

  • Todas as drogas ilegais viciam? Nem todas, continua a afirmar o jornalista. A ayahuasca, a planta com o qual se faz o chá consumido na comunidade cristã do Santo Daime, não vicia. Já a nicotina, presente no cigarro que milhões de pessoas fumam diariamente, é, disparada, a droga que tem maior poder de causar o vício. Cerca de 80% dos usuários de cigarros tornam-se dependentes. A cocaína, uma das drogas que mais preocupa os pais, só vicia 22% dos usuários, de acordo com dados oficiais do Departamento de Saúde dos EUA.

Basicamente, as drogas foram divididas em três grandes grupos, de acordo com seu efeito no cérebro: os estimulantes (anfetamina, cocaína, crack, ectasy, nicotina e a cafeína - que inclui o café, chocolate, guaraná, coca-cola), os depressores (ópio, morfina, heroína, codeína, álcool, ansiolíticos, barbitúricos, benzodiazepínicos) e os alucinógenos (maconha e LSD).

  • Mas qual é o motivo que leva as pessoas a usarem algum tipo de substância psicoativa? A maioria das respostas levará à razão mais óbvia: por prazer. Porém há outras respostas possíveis: aumentar o desempenho (anfetaminas), entrar em contato com os Deuses (chá de ayahuasca), conhcer-se a si mesmo (mescalina), alterar o humor (antidepressivos), tratar doenças (ópio, maconha, morfina, cocaína, benzodiazepínicos), interagir socialmente (álcool), estimular a criatividade artística (haxixe, ópio), ser aceito pelo grupo (álcool) ou criar uma identidade (tabaco).

O crime e as doenças estão concentrados numa pequena parcela de usuários regulares, conforme afirma Peter Reuter, professor no Departamento de Criminologia na Universidade de Maryland, nos EUA. Na Holanda, 5.000 dos 25.000 viciados em drogas são responsáveis por metade dos crimes leves ocorridos no país. Na Inglaterra, viciados em heroína e cocaína são responsáveis por 32% da atividade criminal. Uma pesquisa realizada em 1977 pelo CEBRID da UNIFESP constatou que 71% das crianças e adolescentes moradores de rua eram usuários de drogas. Na população brasileira em geral esse número não ultrapassa 2%.

  • Há 80 anos era possível comprar e fumar ópio legalmente em vários países. As propriedades da papoula, de onde se extrai o ópio, são conhecidas há pelo menos 8.000 anos no Mediterrâneo ocidental. E a maconha também podia ser fumada livremente até o início do século XX. No caso da maconha o registro humano mais antigo remonta a 6.000 anos atrás. Já a cocaína é mais recente. Os registros mais antigos são de 2.000 anos atrás, nos Andes. A cocaína era vendida sem receita médica em qualquer farmácia. No século XVII a Igreja Católica se opôs ao consumo de café.

A maconha é original do norte do Afeganistão, mas espalhou-se há muito tempo pela Ásia, Europa e África, graças aos seus poderes medicinais. No século I a.C., seu poder alucinógeno já era conhecido na China. Na Índia, a planta era um remédio contra disenteria, dor de cabeça e doenças venéreas. Na Europa, os médicos europeus por muito tempo prescreveram a maconha para vários males.

  • Na Era do Bronze, no Oriente Médio, o ópio era usado como sedativo para dor e como afrodisíaco. No Egito dos faraós, a substância aparece em inúmeros papiros, como ingrediente na fabricação de remédios. No Império Romano, alguns imperadores costumavam usá-lo para dormir.

Para os povos que viviam nas escarpas da Cordilheira dos Andes, mascar folhas de coca era uma condição de sobrevivência. No ar rarefeito das montanhas, a pequena porção de cocaína que se extrai lentamente ao mastigar um maço de folhas de coca combate a fadiga e alivia a fome e a sede. Os Incas restringiram o uso da coca às cerimônias religiosas e rituais de iniciação.

  • Na história a droga pode se transformar num produto farmacêutico muito popular. Por exemplo, o mais famoso deles foi criado em 1884 por John Pemberton, de Atlanta, EUA. O tal preparado continha vinho, folhas de coca e grãos de kola (uma fava que contém cafeína). O produto pretendia ser um calmante para os americanos. A bebida foi batizada, a princípio, de French Wine Coca. Mas, em 1886, o nome teve que ser mudado porque Pemberton decidiu tirar o vinho da fórmula em meio a uma onde de reprovação às bebidas alcoólicas. Em 1901 e 1902, em resposta às histórias de que negros alucinados pela coca estariam estuprando mulheres brancas, retirou a droga da fórmula. Atualmente o nome da bebida é Coca-Cola.

No Rio de Janeiro, uma lei municipal de 1830, proibiu a venda e o uso de maconha.

  • As drogas ilegais matam milhares de pessoas todo ano, mas esse estrago é menor do que o causado pelas principais drogas legais, o álcool e o cigarro. Em 1992, nos EUA, 25.000 pessoas morreram devido ao uso de drogas ilegais contra 107.000 por uso de álcool e 400.000 devido ao cigarro. Comparados com o número total de usuários pesados, isso significa que morreram 0,6% dos viciados em drogas ilegais, 0,97% dos alcoolistas e 1% dos fumantes. Mas os usuários de drogas ilegais morrem mais cedo, ou seja, perdem mais anos de vida.

Há um site muito interessante que explica de maneira simples a forma como as drogas agem em nosso cérebro. Convido-os a visitá-lo através do link: www.jellinek.nl/brain.

  • Boa leitura!