São Bernardo do Campo / SP - quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Doença mental: Cada caso é um caso.

Na Medicina existe uma frase eternizada que diz: "Cada caso é um caso". Ela existe para lembrar aos médicos que aquilo que está descrito nos livros é apenas uma referência às várias características encontradas numa determinada patologia. Alguns casos terão tudo o que está escrito, em outros terão apenas alguns destes sinais ou sintomas e em outros talvés seja inconclusiva.

 

É esta a parte da ciência médica que é fascinante. É uma ginástica mental constante, é o que motiva sempre a estudar cada vez mais e se aperfeiçoar diariamente. Mas agora o que quero apontar é a importância disto no dia-a-dia na doença mental.

 

Sempre que se vá ao médico ficam todos numa sala de espera aguardando serem chamados. É nestes minutos ou horas que se ouve os mais diversos comentários e "causos" contados pelas pessoas que se encontram no local. Muitos compartilham as suas patologias, seus sintomas e alguns se identificam e já entram no consultório convictos de terem achado a solução para seus problemas assim como a conduta terapêutica a ser seguida.

 

Soluções levadas até o consultório após extensa pesquisa na internet e em outras fontes de informação, inclusive nos relatos familiares, podem ser úteis, mas geralmente são fatores complicadores, pois os termos médicos alí expostos são muitos e de difícil compreensão. Da mesma maneira como explicar que uma medicação faz um efeito em alguns e outros efeitos em outros?

 

A mídia também auxilia nesta crescente desinformação quando se utiliza de termos médicos de maneira superficial ou tendenciosa. Aqui não digo que toda mídia é ruim, pelo contrário, digo que algumas não auxiliam e sim atrapalham. Exemplos disso já tivemos muitos. Por exemplo, a Síndrome do Pânico e a Depressão. Já se escreveu tanto que o tema ainda não foi esgotado. Existe também sociedades, cultos religiosos e até empresas que se utilizam destas informações para finalidade própria e que nada tem haver com a Medicina ou seu caráter orientador.

 

Falando em efeito terapêutico, falaremos agora dos remédios. Neste mesmo ponto de encontro de pacientes/clientes, todos têm a solução para o seu problema. Tal ou qual remédio foi muito bom, outros nem tanto e alguns nem pensar. Assim, vemos uma troca de nomes de remédios com o objetivo curativo. Não é incomum o paciente entrar no consultório afirmando: "Dr, o senhor não me prescreveu uma medicação que o outro paciente toma e disse que melhorou muito. Por que?"

 

Dai surge uma série de imagens mentais e informações científicas sobre artigos versando de psicofarmacologia clínica, farmacocinética e farmacodinâmica e outras reminescências de experiências dos anos de vida profissional que dificilmente podem ser transferidas mentalmente para a mente do paciente como se fossem um download.

 

Lembremos que nem todos podem ir ao Pronto Socorro e serem medicados com benzetacil por causa dos casos de hipersensibilidade ou alergia à mesma. De forma semelhante agem os medicamentos chamados controlados ou psicotrópicos. O metabolismo de cada um responde de maneira diferente a diferentes medicamentos.

 

Costumo imaginar as pessoas como uma grande curva de Gauss. Alguns respondem bem à medicação, outros respondem muito pouco e outros respondem bem demais. Da mesma maneira são os efeitos colaterais.

 

Concluindo. Não é porque somos todos da espécie humana que todos somos iguais. Somos parecidos, mas não somos iguais. Cada um de nós tem a sua singularidade, sua unicidade, que não se repete. Somos parecidos com nossos pais, mas não somos iguais. Não é porque funcionou um remédio no fulano de tal que irá funcionar em nós de maneira semelhante. Existe uma grande probabilidade de que sim, mas há também a probabilidade que não.

 

Por isso. Não tomem medicaões sem a orientação do seu médico e, se os sintomas não melhorarem ou piorarem entre em contato com seus médicos imediatamente.

 

 

Criado em 27/02/2010.