São Bernardo do Campo / SP - terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Doença mental: Por que eu?

Por que eu?

 

As causas da doença mental são geralmente multidimensionais, ou seja, depende de múltiplos fatores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o indivíduo como um ser bio-psico-social. Assim, do ponto de vista prático, o mesmo é dividido, em teoria, como um ser biológico, psicológico e social. Dentro de cada uma dessas esferas podemos citar fatores predisponentes ao desenvolvimento de uma, ou mais, doenças mentais.

 

  • A influência genética em muito de nosso desenvolvimento e na maior parte de nosso comportamento, personalidade e QI é poligênica, ou seja, é influenciada por muitos genes. Estudando as relações causais os pesquisadores examinam as interações da genética e dos efeitos ambientais. No modelo de diátese-estresse, os indivíduos são herdeiros de certas vulnerabilidades que os tornam suscetíveis a um transtorno quando o tipo certo de estressor vem junto. No modelo recíproco de gene-ambiente, a vulnerabilidade genética do indivíduo em relação a determinado transtorno pode torná-lo mais propenso a experimentar o estressor que, por sua vez, impulsionará a vulnerabilidade genética e, assim, o transtorno.

Cabe lembrar que, no aspecto genético, existe como regra a possibilidade da ocorrência de um tipo de transtorno, mas não a determinação da mesma.

 

  • No campo biológico ou da neurociência, foca-se mais as investigações nas atividades neuroquímicas e neuroendócrinas e suas interações para modular e regular as emoções e o comportamento, contribuindo para o transtorno mental. Entre os neurotransmissores que podem desempenhar um papel-chave podemos citar: a serotonina, dopamina, noradrenalina, ácido gama-amino-butírico. Em relação a hormônios vem se falando muito da melatonina.

 

No campo social, as influências ambientais e interpessoais afetam profundamente tanto os transtornos psicológicos quanto os biológicos. Ou seja, o ambiente familiar e o ambiente de trabalho são considerados como fatores estressores também.

 

 

  • O equilíbrio entre estes três fatores (biológico, psicológico e social) é o que define o termo de saúde para a OMS. O desequilíbrio destes é o que define a doença.

 

É evidente que, aquelas pessoas que apresentam um transtorno neurológico central ou seqüela de um trauma cerebral, terão uma possibilidade maior de vir a apresentar, num futuro, uma alteração de comportamento ou cognitiva. Mas mesmo isto não é uma regra.

 

 

Modificado em 26/05/2009 por Dr. Luis C. Bethancourt.